Quando alguém passa por um luto, uma doença, uma separação ou qualquer outra situação difícil, um gesto de carinho pode parecer algo simples.

Mas a Ciência mostra que pode significar muito mais.

Há décadas pesquisadores tentam entender o impacto das relações humanas na saúde física e emocional. E os resultados são consistentes: sentir que existe alguém ao nosso lado faz diferença.

Em 2010, uma das maiores meta-análises publicadas sobre o tema, com mais de 308 mil participantes acompanhados ao longo de até 24 anos concluiu que pessoas com vínculos sociais mais fortes apresentaram 50% maior probabilidade de sobreviver ao longo do período estudado quando comparadas àquelas com relações sociais frágeis.

Os autores afirmam que esse impacto é comparável ao de fatores clássicos de prejuízo à saúde, como tabagismo, obesidade e sedentarismo.

Cinco anos depois, uma nova análise (desta vez com mais de 3,4 milhões de participantes) mostrou o outro lado dessa história. Pessoas que viviam em isolamento social apresentavam um risco 29% maior de morte precoce. A solidão aumentava esse risco em 26%.

Mas talvez o dado mais interessante seja outro.

Uma revisão sistemática publicada em 2018, analisando dezenas de estudos sobre depressão, mostrou que pessoas que percebiam maior apoio social apresentavam melhor recuperação, menos sintomas e melhor qualidade de vida do que aquelas que se sentiam sozinhas.

Essa conclusão conversa com um dos estudos mais conhecidos do mundo: o Harvard Study of Adult Development que acompanha participantes desde 1938.

Depois de quase nove décadas de pesquisa, a principal conclusão permanece a mesma: a qualidade dos nossos relacionamentos é um dos maiores preditores de saúde física, saúde mental e longevidade.

OU SEJA...

A percepção de apoio muda a forma como as pessoas atravessam momentos difíceis.

E na maioria das vezes, o que ajuda alguém a seguir em frente não é encontrar uma solução para o problema.

É simplesmente perceber que não precisa enfrentá-lo sozinho.

 

Referências
  • Holt-Lunstad J, Smith TB, Layton JB. Social Relationships and Mortality Risk: A Meta-analytic Review. PLoS Medicine, 2010. 
  • Holt-Lunstad J et al. Loneliness and Social Isolation as Risk Factors for Mortality. Perspectives on Psychological Science, 2015. 
  • Wang J et al. The longitudinal association between social support and the course of major depression: A systematic review. Journal of Affective Disorders, 2018. 
  • Harvard Study of Adult Development, iniciado em 1938 e atualmente dirigido por Robert Waldinger.